11 de março de 2019
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Trauma dentário na criança: como lidar e, principalmente, evitar

É encantador observar as primeiras tentativas de um bebê em se locomover, seja se arrastando, engatinhando ou se agarrando no que vê pela frente para ficar em pé. Além da necessidade de um amadurecimento neuromuscular para que isso aconteça, é essencial estimular o bebê na sua independência de locomoção. Porém, certos cuidados são importantes para […]

É encantador observar as primeiras tentativas de um bebê em se locomover, seja se arrastando, engatinhando ou se agarrando no que vê pela frente para ficar em pé.

Além da necessidade de um amadurecimento neuromuscular para que isso aconteça, é essencial estimular o bebê na sua independência de locomoção. Porém, certos cuidados são importantes para evitar situações que transformem esse momento numa corrida inesperada ao odontopediatra!

Isso porque, é nessa fase, a partir de aproximadamente um ano de idade, que os traumas bucais passam a ocorrer com frequência, devido à imaturidade motora e dos reflexos que protegeriam a face durante a queda, como o simples ato de colocar as mãos na frente ao cair.

E o que deixa os pais ou responsáveis com o “sentimento de culpa” é o fato desses acidentes ocorrerem, na maioria das vezes, dentro de casa, num simples piscar de olhos, e em alguns casos, mais de uma vez!

Com o amadurecimento da criança, outras situações passam a representar riscos, como os esportes, bicicleta, patins, skate, brincadeiras de luta, objetos arremessados inconsequentemente, quedas de alturas, entre outros. Então, nota-se que, com o tempo, esses riscos ultrapassam as portas de casa!

Menos comuns, mas não menos importantes, são os acidentes automobilísticos, atropelamentos, violência, crises convulsivas e, nos casos de bebês, quedas do colo de terceiros.

Enfim, seja qual for o motivo, um traumatismo dentário numa criança pode assustar mais do que ela própria, mas traumatizar uma família inteira, causando um grande impacto emocional e psicológico tanto na criança como nos pais.

Por hora, vamos comentar sobre os dentes de leite, deixaremos os permanentes para uma próxima conversa!

Traumas nos dentes de leite

O que fazer então nos traumas na dentição de leite? Devemos primeiramente acalmar a criança, observar se somente a boca foi atingida ou se há outros tipos de ferimentos na cabeça ou no corpo.

Caso a criança apresente vômitos, desmaios, suspeitas de fratura em algum membro, cortes profundos nos lábios ou gengivas, o pronto socorro médico deve ser buscado imediatamente.

Caso somente a boca tenha sido atingida, o odontopediatra deve ser procurado o mais breve possível, principalmente se os dentes apresentarem grande mobilidade ou dor que impeça a criança de se alimentar adequadamente.

Se sair inteiro (avulsão), caso ele não seja encontrado, somente um exame radiográfico poderá identificar se ele foi perdido ou se “entrou” na gengiva. Não se deve tentar reimplantar um dente de leite! Sua raiz foi programada para ser reabsorvida, e um reimplante dificilmente terá sucesso!

Se ocorrer fratura do dente, somente o dentista poderá avaliar qual sua extensão, se ocorreu próxima ou longe da polpa (nervo do dente), e qual o tratamento mais adequado.

O sangramento ao redor da gengiva pode indicar ruptura dos ligamentos periodontais (que ligam o dente ao osso), podendo causar uma mobilidade leve, moderada ou severa, e até mesmo a mudança na posição dos dentes que pode ser agravada posteriormente pela sucção de chupeta, dedo ou mamadeira.

O odontopediatra estabelece uma frequência de retorno pós-trauma de acordo com a gravidade de cada caso, realizando periodicamente observações clínicas como: alterações na coloração e no grau de mobilidade do dente, aspecto da gengiva ao redor, avaliações radiográficas a fim de se observar a situação do dente permanente sucessor, da raiz do dente traumatizado e das estruturas adjacentes.

O trauma no dente de leite pode ou não trazer consequências para o dente permanente em formação, desde manchinhas brancas ou amarronzadas até afundamentos ou porosidades no seu esmalte, além da mudança no trajeto da erupção do dente permanente.

A maioria das consequências que um trauma acarreta nos dentes permanentes que estão em formação é decorrente do trauma em si, ou seja, ocorrem no momento do batida, mesmo que pareça que nada grave aconteceu.

O aparecimento de uma fistula (bolinha de pus) próximo ao dente traumatizado, mesmo que ela surja num determinado momento e desapareça em seguida, pode indicar que a polpa do dente de leite necrosou (morreu!), pois ela foi rompida no momento do trauma e não foi possível a sua regeneração. Isto pode ocorrer logo após o trauma ou meses depois, e necessita de tratamento do canal do dente de leite afetado ou sua extração, para que a afecção não atinja o dente permanente sucessor.

Dentes perdidos precocemente devem ser criteriosamente avaliados quanto à necessidade de preservar o espaço ósseo para que este não se feche e comprometa o lugar destinado ao dente permanente. Enfim, o acompanhamento odontopediátrico após o trauma pode minimizar suas consequências, evitando agravamentos desnecessários, tanto para o dente de leite como para o permanente em formação.

Como evitar esses traumas

Muitas vezes, não temos como evitar os acidentes, mas podemos minimizá-los através de cuidados básicos como:

– Não deixar os bebês de meias, sapatos largos ou chinelos, principalmente os que estão arriscando os primeiros passinhos;

– Evitar andadores, pois estes podem virar;

– Proteger as quinas das mesas e evitar tapetes soltos e que favoreçam a queda;

– Cuidado com chão molhado ou escorregadio;

-Orientar sobre os riscos de certas brincadeiras;

– Usar proteção adequada na prática de esportes;

– Ao andar de carro, usar cadeiras específicas e cintos apropriados às faixas etárias;

– Berços, carrinhos de bebê e cadeirões, devem estar sempre adequados à idade e maturidade da criança.

É praticamente impossível isolá-las dos riscos eminentes, mas totalmente adequado educá-las para entenderem que suas ações podem ser pensadas e ponderadas, evitando-se consequências desastrosas! Orientar e educar é preparar para a vida!

* Daniela Ortega Lopes Risola é especialista em Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares e Ortodontia.