13 de março de 2019

Cérebro das crianças: lidando com o TDAH

Escrever sobre TDAH é fazer uma volta ao tempo e relembrar muitas coisas vividas na minha infância e adolescência. Imagine uma pessoa muuuito inteligente. Que resolve as coisas que precisam ser feitas. Tenho lindas lembranças de quando era adolescente e meu irmão ainda criança. Uma linda lembrança dele desmontando a bicicleta na cama do quarto… […]

Escrever sobre TDAH é fazer uma volta ao tempo e relembrar muitas coisas vividas na minha infância e adolescência.

Imagine uma pessoa muuuito inteligente. Que resolve as coisas que precisam ser feitas. Tenho lindas lembranças de quando era adolescente e meu irmão ainda criança.

Uma linda lembrança dele desmontando a bicicleta na cama do quarto… desmontando o rádio para saber como funcionava… Desmontando o mix para ver se cortaria madeira também… Correndo pela casa o dia todo… E horas a fio montando lego. Quando chegou o computador em casa, ele dominava absolutamente e ninguém havia ensinado!!!

Muitas brincadeiras perigosas… Amava velocidade! Muita música.

Tarefas escolares… Sempre por fazer. Notas baixíssimas e algumas reprovações.

Mais crescidinho, pegava o carro escondido e claro que houveram acidentes sérios.

Uma hora absolutamente disperso e, em outra, completamente absorvido!

A mescla de hiperatividade, impulsividade e desatenção para algumas circunstâncias era a grande “marca” registrada dessa pessoa tão inteligente e amorosa!!

O cotidiano com uma pessoa com esse perfil leva a marcar na estrutura emocional que “tatua” para sempre nossa história.

Ler um livro inteiro para ele era o maior desafio a ser alcançado, mas cognitivamente deixava muitos leitores para trás.

Não digo isso para desmotivar nossos leitores, mas para que você possa compreender o que é a realidade de um TDAH.

Infelizmente, todo o potencial de um TDAH é usado “contra” ele mesmo, pois, pela estrutura neurológica, amam a velocidade e sensações de risco e perigo. Isso não é malandragem, falta de responsabilidade ou falta de umas boas palmadas. Apenas uma formação das estruturas neuronais que os levam a agir assim e a necessidade física de intensidade.

Começar a olhar e enxergar essas crianças, adolescentes ou adultos com a consciência do que se passa realmente dentro deles mudará todo o cenário.

Falo isso pois também presenciei muitas situações conflitantes enquanto neuropsicóloga entre filho e mãe, filho e pai, entre irmãos e entre  aluno e professor.

Há um tempo atrás, achavam que  era apenas uma questão de pulso firme, mas, na realidade, ajudar um TDAH é bem mais do que isso.

Quando falo “bem longe do pulso firme” não estou querendo dizer que devemos ser permissivos a tudo, mas, sim, compreender que é uma realidade diferente de uma criança que não tem TDAH.

Toda criança com TDAH deve conseguir sentar na mesa e fazer as refeições; conversar com as pessoas, vivenciar todas as circunstâncias normais do dia a dia.

TDAH não justifica má educação ou caráter duvidoso. Contudo, temos que admitir e compreender que estabelecer limites para uma criança TDAH não é uma tarefa fácil. Pois, como podemos ver, já desde as primeiras publicações em 1798, dizia-se que eram crianças que não atendem as ordens.

Hoje temos muitos estudos sobre essa realidade. Lindos estudos e pesquisas dentro do neurofeedback mostrando que a impulsividade nada mais é do que o excesso de ondas rápidas no cérebro. Mas isso nós teremos um artigo exclusivo para falarmos a respeito.

Por hora, queria apenas abrandar os corações maternos e dizer que nossos TDAHs são uma potência a ser lapidada com muito amor, firmeza e coragem!

* Alessandra Netti é Psicóloga, Neuropsicóloga e Neurofeedback. Autora e especialista em comportamento do Blog Mundo Mãe.