10 de abril de 2019

A primeira consulta da criança no dentista

A primeira vez de uma criança num consultório odontológico pode gerar certas angústias nos pais. Será que ela vai colaborar? E se ela não abrir a boca? E se ela ficar traumatizada? Muitas dúvidas surgem nesse momento, por isso é tão importante que os papais e mamães busquem um profissional especializado: o odontopediatra. Muitos medos […]

A primeira vez de uma criança num consultório odontológico pode gerar certas angústias nos pais. Será que ela vai colaborar? E se ela não abrir a boca? E se ela ficar traumatizada? Muitas dúvidas surgem nesse momento, por isso é tão importante que os papais e mamães busquem um profissional especializado: o odontopediatra.

Muitos medos surgem da experiência alheia, ou seja, alguém que passou por uma situação desagradável e deixa isso transparecer para uma criança. Ou até mesmo casos de amiguinhos ou priminhos que contam um para outro o ”drama” que passou quando teve que tirar um dentinho no dentista.

No processo de desenvolvimento psicoemocional do ser humano, do nascimento à puberdade, passamos por diferentes fases comportamentais, acompanhadas por medos, ansiedades e fantasias, e todo profissional que atua nestas fases deve estar apto a reconhecê-las.

Talvez o medo seja o sentimento que mais dificulta um atendimento odontológico, a maior barreira a se romper para estabelecer um bom relacionamento entre o paciente infantil e o profissional. Porém, e isso vale em qualquer fase da nossa vida, quando estamos do lado de alguém em quem confiamos, nossos medos e angústias se dissipam mais facilmente, e isso nos encoraja a enfrentar situações que nos pareciam perturbadoras.

Esse é o ponto crucial que o odontopediatra busca no atendimento infantil: adquirir a confiança do seu paciente. E como isso é possível? Sempre que uma criança aparece pela primeira vez no consultório, a abordagem deve ser a mais agradável possível, o ambiente aconchegante e lúdico, com o qual a criança se identifique.

O odontopediatra, num primeiro contato, juntamente com os responsáveis, deve traçar um breve perfil do seu paciente, e a partir de então definir a melhor abordagem, pois cada criança tem suas características individuais.

A partir de então, desenvolve-se um planejamento de atendimento deste paciente, de acordo as condições de saúde bucal, o nível de medo e o grau de colaboração, através de um contato gradual e progressivo. A isso dá-se o nome de adaptação, utilizando-se a técnica conhecida como falar-mostrar-fazer, ou seja, fala-se para o paciente, dentro do seu grau de compreensão, o que vai ser feito, mostra-se num boneco com dentes ou na própria mão do paciente a sensação que determinado instrumento vai produzir, e só então executa o procedimento em sua boca.

Parece simples? Mas nem sempre é… e para isso é muito importante que os pais e o próprio profissional sejam pacienciosos! Em resumo, todo procedimento a ser realizado na boca da criança é mostrado e treinado com ela na sessão anterior, e só é realizado o que ficou combinado, essa é a base da confiança.

Além da curiosidade inerente nas crianças, tudo o que for colocado na boca dela estará ao alcance da visão, então, nada mais justo do que ela saber o que vai ser feito. Aquele velho apelo “abra a boca e fecha os olhos” não funciona não!

Em situações extremas, como nos casos de dor ou alguns tipos de traumatismo dental, é realizada uma breve adaptação pois a intervenção tem que ser imediata e a criança não colaboradora pode precisar ser contida fisicamente. Essa contenção, chamada de Estabilização protetora, é normalmente realizada pelos pais ou alguém de confiança da criança sob orientação do profissional, para segurança do próprio paciente. Passado esse momento, é possível remover da memória da criança aquela experiência que pode ter lhe parecido ruim, através da readaptação.

Enfim, quem se propõe a cuidar de crianças, seja em que situação for, deve reconhecer suas necessidades, medos e angústias, entrar no mundo dela, aconchegá-la e contribuir positivamente no seu desenvolvimento como indivíduo. Quanto mais cedo a criança conhecer o odontopediatra, antes mesmo do surgimento do primeiro dentinho, mais agradável e saudável será o vinculo entre o paciente e o profissional!

Daniela Ortega Lopes Risola é especialista em Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares e Ortodontia.