17 de maio de 2019

Meu filho chupa chupeta, e agora?

Antes mesmo de os filhos nascerem, projetamos como poderiam ser, que características físicas, psicológicas e emocionais poderiam desenvolver, como seríamos como pais e se conseguiríamos oferecer o melhor para eles, em todos os aspectos, para serem melhores do que nós. Ao nascerem, percebemos que, na teoria, tudo é lindo, fácil e funciona. Mas, na prática… […]

Antes mesmo de os filhos nascerem, projetamos como poderiam ser, que características físicas, psicológicas e emocionais poderiam desenvolver, como seríamos como pais e se conseguiríamos oferecer o melhor para eles, em todos os aspectos, para serem melhores do que nós.

Ao nascerem, percebemos que, na teoria, tudo é lindo, fácil e funciona. Mas, na prática… Não é bem assim! A começar pela hora do parto, onde sempre ouvimos falar que o melhor (sem duvida nenhuma!) é o parto normal, mas ninguém nos prepara para a possibilidade de uma cesárea ser necessária (e graças a Deus ela existe!).

Frequentemente vemos campanhas estimulando a amamentação materna, da sua importância indiscutível. Mas pouco se discute sobre suas dificuldades, as dores e as diversas intercorrências que quase nos fazem sucumbir à mamadeira precocemente, e, se isso ocorre, traz a sensação do “o que há de errado comigo?” E, ainda bem existem os complementos infantis próprios para a falta do aleitamento materno.

Então, eis que o bebê, já alimentado e trocado, chora sem motivo e se mostra inquieto… E alguém sugere: “ofereça a chupeta que ele para!”.

Chupeta? Mas ouvimos tanto falar que chupeta entorta os dentes, atrapalha no desenvolvimento da fala, causa uma dependência difícil de reverter, etc. Pior ainda quando flagramos o bebê sugando o dedo como se estivesse se deliciando com um brigadeiro!

“Dedo é pior que chupeta”, ouvimos alguém dizer, sem ao menos termos perguntado… Sem dúvida, os hábitos de sucção de dedo, chupeta e mamadeira, somados à mastigação ineficiente e à respiração bucal, são os maiores responsáveis pelo desenvolvimento das más oclusões dentárias. Porém, os estragos que esses hábitos deletérios podem causar são diferentes para cada pessoa, pois dependem do tipo do padrão facial, o qual é pré-determinado geneticamente e da frequência e tempo do hábito.

O que fazer então se o bebê “pegar” a chupeta? Primeiramente devemos entender, e isso é fato, que alguns bebês têm uma necessidade de sucção maior que outros, por isso, uns aceitam a chupeta e outros não. Alem disso, há relatos de que a sucção de chupeta acalma o bebe e até poderia diminuir os riscos de morte súbita.

Nos casos daqueles que sugam o dedo, a tentativa de trocá-lo por chupeta pode ser frustrada, e, sendo assim, na maioria das vezes, somente o tempo e muita conversa com a criança ajudam a conscientizá-la a deixar o hábito.

Quando a chupeta se torna um mal necessário, devemos usá-la de modo consciente, começando pela escolha do bico, que preferencialmente deve ser o ortodôntico e adequado à idade da criança. Não vale oferecer uma chupeta indicada para maiores de 6 meses a um recém-nascido, por exemplo.

Antes de oferecer a chupeta para o bebê que chora, certificar-se de que ele não esteja sujo, com frio ou calor, com fome, cólica, ou apenas querendo um pouquinho de atenção. Isso evita oferecermos a chupeta desnecessariamente.

Pode-se ainda, remover a chupeta do neném após ela adormecer, mesmo que pareça que ele faça a maior força do mundo para trazê-la de volta à boca. Na maioria das vezes isso funciona e ele continuará dormindo sem a chupeta!

É desnecessário, logo depois que o bebe mamar, introduzir a chupeta, uma vez que eles caem no sono espontaneamente, graças ao próprio cansaço gerado pela amamentação ou pelo simples fato de estarem saciados.

Nunca pendurar na argola da chupeta qualquer tipo de prendedor, fralda, fita ou pano! Isso geraria um peso extra que agravaria ainda mais os possíveis danos à arcada dentária da criança.

Não deixar as chupetas ao alcance do bebê, como se estivessem disponíveis a qualquer momento. São os pais que devem controlar o uso e não a criança.

Se o hábito persistir após os 3 anos de idade, essa é uma fase muito propícia a conseguir a colaboração da criança para o abandono do hábito, através de livros de estórias específicos e muito reforço positivo, que consiste em valorizar o lado bom de estar crescendo, fazendo-a perceber que chupeta, dedo e mamadeira não precisam mais fazer parte da sua rotina!

Pode demorar meses ou anos para se conseguir remover os hábitos de sucção de uma criança, mas seja firme e ao mesmo tempo compreenda essa dificuldade e a ajude nesse processo!

Essas são algumas dicas importantes e que podem ser colocadas em prática, mas, devemos ter em mente que cada caso tem suas particularidades e que a ajuda de um pediatra, odontopediatra e fonoaudiólogo são essenciais para orientar mamães, papais e crianças.

Daniela Ortega Lopes Risola, da Odonto Lopes, é especialista em Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares e Ortodontia.