27 de junho de 2019

Qual a idade ideal para se colocar aparelho nos dentes?

Uma das perguntas mais frequentes no consultório é: Qual a idade ideal para se colocar aparelho nos dentes? Eis uma resposta que não é assim tão simples de se dar. O crescimento e desenvolvimento da face humana depende cerca de 60% da herança genética e 40% dos estímulos ambientais recebidos ao longo da vida. Pois […]

Uma das perguntas mais frequentes no consultório é: Qual a idade ideal para se colocar aparelho nos dentes?

Eis uma resposta que não é assim tão simples de se dar. O crescimento e desenvolvimento da face humana depende cerca de 60% da herança genética e 40% dos estímulos ambientais recebidos ao longo da vida.

Pois bem, como não se pode interferir naquilo que herdamos geneticamente, podemos então nos atentar aos estímulos ambientais nocivos ao desenvolvimento adequado, dentre os quais: respiração bucal, mastigação ineficiente, hábitos de sucção (chupeta, dedo, uso prolongado de mamadeiras), posicionamento atípico da língua na deglutição, fala e repouso, etc.

Portanto, não se trata da idade adequada para se iniciar um tratamento ortopédico ou ortodôntico, mas sim em diagnosticar o mais precocemente possível a instalação de situações nocivas para o desenvolvimento harmonioso da face.

Sim, da face! Pois as alterações não se resumem apenas a dentes, mas envolvem os ossos onde eles estão implantados e estes por sua vez, quando alterados, comprometem parte ou toda arquitetura facial.

Quando uma criança chega ao consultório odontopediátrico, o profissional deve se atentar não somente à pesquisa de cáries e orientação de higiene bucal, mas sim realizar uma investigação quanto aos hábitos daquela criança, tipo de respiração, de que maneira aquela dentição está se estabelecendo e qual a influência que o estilo de vida esta exercendo sobre o desenvolvimento daquele rosto. A isto dá-se o nome de ortodontia preventiva, que é quando os responsáveis pela criança são alertados e orientados quanto a remoção dos hábitos nocivos e, muitas vezes, encaminhados para otorrinolaringologista, fonoaudiólogo, etc.

Vale ressaltar que existem vários tipos de padrão de desenvolvimento determinados geneticamente, e que isso influencia muito o grau de malefício que os hábitos nocivos podem causar. Quando se detecta uma má-oclusão já instalada, o que vai ajudar a definir se é ou não o momento de intervir com aparelhos ou qualquer outro recurso, está atrelado: ao tipo da má-oclusão, se esta má-oclusão tende a piorar com o desenvolvimento da criança ou se está interferindo diretamente no desenvolvimento da face, tipo de padrão genético e amadurecimento psico-emocional do paciente para receber o tratamento.

O fato é que, quanto mais cedo se corrige, maior é a estabilidade do tratamento ao longo da vida. Porém, esta tão sonhada estabilidade depende de muitas outras coisas, pois como a boca é um sistema que envelhece assim como qualquer outra parte do nosso corpo, está sujeita a alterações ao longo da vida, alterações estas que podem se tornar mais harmônicas quando os dentes se encontram adequadamente posicionados e funcionais.

Os pais também precisam ser alertados quanto à gravidade do problema instalado, quais as chances de sucesso com o tratamento e nos casos onde a má-oclusão possui uma forte influência genética, serem informados da possibilidade futura de cirurgia ortognática para se atingir os resultados esperados.

O tratamento iniciado em idade precoce pode se estender até o final da dentição permanente, envolvendo o uso de aparelhos móveis e fixos, sendo o tratamento dividido em fases, de acordo com a necessidade. Quando se faz necessário tratar uma má-oclusão precocemente, estamos frente a um paciente em crescimento, e a intenção é “pegar carona” nesse desenvolvimento e contribuir com as aparatologias necessárias para que ele ocorra da melhor maneira possível!

Por isso, muitas vezes, são considerados tratamentos longos, mas deve haver conhecimento cientifico adequado e bom senso por parte do profissional para reconhecer qual o melhor momento ortodôntico ou ortopédico do seu paciente. Eis então mais um motivo para que a criança seja acompanhada por um odontopediatra desde a mais tenra idade, com visitas programadas pelo menos 2 vezes ao ano!

Daniela Ortega Lopes Risola, da Odonto Lopes, é especialista em Odontopediatria, Ortopedia Funcional dos Maxilares e Ortodontia.