23 de agosto de 2019
  • Blog Mundo Mãe
  • Como o funcionamento do cérebro afeta a maneira de pensar, sentir e viver

Como o funcionamento do cérebro afeta a maneira de pensar, sentir e viver

Chamamos de “Neurociência afetiva” o estudo dos mecanismos cerebrais que estão por trás de nossas emoções e a busca por maneiras de melhorar a sensação de bem-estar e de promover qualidades mentais positivas. Para exemplificar, através da Neurociência afetiva, tentamos entender como surgem no cérebro as qualidades mentais que a humanidade valoriza desde o início […]

Chamamos de “Neurociência afetiva” o estudo dos mecanismos cerebrais que estão por trás de nossas emoções e a busca por maneiras de melhorar a sensação de bem-estar e de promover qualidades mentais positivas.

Para exemplificar, através da Neurociência afetiva, tentamos entender como surgem no cérebro as qualidades mentais que a humanidade valoriza desde o início da civilização: compaixão, bem-estar, altruísmo, caridade, gentileza, amor.

Sabemos que as pessoas têm reações emocionais diversas ao que lhes acontecem. Por exemplo, uma pessoa reage melhor ou pior ao fim de um relacionamento do que outras. E isso, acredite, está intimamente ligado ao funcionamento do cérebro, afinal, qualquer coisa que esteja relacionada ao comportamento humano, aos sentimentos e às formas de pensar surge no cérebro.

Neste contexto, chegamos ao termo Estilo emocional, que é o modo consistente que cada pessoa responde às suas experiências de vida. É dirigido por circuitos cerebrais identificáveis, que podem, inclusive, ser medidos por meio de métodos objetivos, como por exemplo o mapeamento cerebral.

O estilo emocional influencia a probabilidade de apresentarmos determinados estados emocionais, traços emocionais e humores. Por isso, é essencial entendermos cada um desses termos:

Estado emocional –costuma durar poucos segundos e tende a ser desencadeado por  uma experiência (raiva, uma grande alegria etc.). Mas também pode surgir unicamente da atividade mental, por exemplo, quando “sonhamos acordados”. Independentemente de terem sido desencadeados por experiências do mundo real ou mentais, os estados emocionais tendem a se dissipar em pouco tempo.

Humor – já o humor é o sentimento que persiste ao longo de minutos, horas ou até dias.

Traço emocional – é o que caracteriza a pessoa não só durante dias, mas durante anos. Um traço emocional, a exemplo da raiva constante (no caso de quem tem “pavio curto”), aumenta a probabilidade da pessoa de vivenciar um estado emocional especifico (a fúria, por exemplo).

O estilo emocional tem seis dimensões que derivam de descobertas da pesquisa neurocientífica moderna. Tais dimensões são resultado de anos de estudo e correspondem a propriedades do cérebro e seus modos de funcionamento. São elas:

– Resiliência: velocidade que nos recuperamos de uma adversidade.

– Atitude: por quanto tempo conseguimos sustentar as emoções positivas.

– Intuição social: a facilidade com que captamos os sinais sociais emitidos pelas pessoas ao nosso redor.

– Autopercepção: nossa capacidade de perceber as sensações corporais relacionadas às emoções.

– Sensibilidade ao contexto: a capacidade de regularmos nossas respostas emocionais para que correspondam ao nosso contexto social.

– Atenção: quão aguçada e clara é nossa concentração.

Cada personalidade e temperamento corresponde a uma combinação diferente das seis dimensões do estilo emocional.

É interessante reparar que, em geral, não estamos conscientes do tipo de pessoa que somos na dimensão resiliência, por exemplo. Geralmente não prestamos a atenção na velocidade com que nos recuperamos de um evento estressante.

Por exemplo, após uma discussão com seu parceiro, você pode ficar o dia inteiro irritada, mas talvez, ainda assim, não se dê conta de que ficou assim por não ter retomado seu equilíbrio emocional – o que é uma marca do estilo  de Recuperação lenta (quando falamos em Resiliência).

O conhecimento que existe hoje em torno do Estilo emocional partiu do pressuposto de que as funções corticais mais elevadas, em particular aquelas situadas no córtex pré-frontal, eram fundamentais para as emoções. (Anteriormente a isso, neurocientistas e psicólogos acreditavam somente na existência de regiões cerebrais dedicadas à razão e outras regiões dedicadas às emoções, e estas jamais se encontrariam/misturariam).

Estudar o Estilo emocional não nos permite somente autoconhecimento, vai muito além: pois, a partir do momento que temos ciência da influência de determinadas regiões do cérebro nas emoções humanas, sabemos ser possível também usar de treinamentos mentais para alterar padrões de atividade cerebral, podendo assim fortalecer as emoções positivas (empatia, compaixão, otimismo, bem-estar) em uma pessoa.

* Alessandra Netti é Psicóloga, Neuropsicóloga e Neurofeedback. Autora e especialista em comportamento do Blog Mundo Mãe.