27 de agosto de 2019

Autismo e inclusão escolar

A inclusão escolar não é só um desejo, mas um direito da pessoa com TEA. Nenhuma escola, pública ou privada, pode negar a matrícula de um autista ou cobrar por um professor auxiliar ou mediador escolar, quando necessário. Inclusão escolar não significa apenas inserir a criança ou adolescente com TEA no ambiente escolar. Começa antes […]

A inclusão escolar não é só um desejo, mas um direito da pessoa com TEA. Nenhuma escola, pública ou privada, pode negar a matrícula de um autista ou cobrar por um professor auxiliar ou mediador escolar, quando necessário.

Inclusão escolar não significa apenas inserir a criança ou adolescente com TEA no ambiente escolar. Começa antes mesmo da recepção do aluno. Os professores e a equipe devem conhecer as particularidades e necessidades de cada aluno com TEA e, em conjunto com os pais e profissionais, auxiliar no plano educacional individualizado e colocar em prática estratégias que promovam o desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas, pedagógicas e de autonomia.

À escola cabe fazer a adaptação do conteúdo escolar, capacitar, humanizar professores e equipe. É importante que flexibilize horário de entrada, saída, alimentação, quando houver necessidade. Muitas vezes, o aluno com autismo se desregula no horário da entrada devido aos inúmeros estímulos auditivos e visuais, uma dica é que ele entre antes ou após este momento. Os professores, além de acompanhar de perto o aprendizado, devem reforçar junto aos demais alunos da classe a importância do respeito e do acolhimento em relação ao colega com TEA.

A escola deve ainda promover palestras e convidar todos os pais a fim de mostrar o que devem conversar com os filhos sobre inclusão.

Usar da previsibilidade, imagens, quadros de rotina, histórias sociais, trabalhar com o concreto, manter o aluno próximo ao professor e usar de assuntos de interesse na hora de ensinar são algumas das estratégias que auxiliam o aprendizado e desenvolvimento da criança ou adolescente com TEA na escola.

Em muitos casos, faz-se necessário um professor auxiliar ou um acompanhante terapêutico que estará ao lado do aluno em sala de aula e em contato direto com os pais e com a equipe que o acompanha, tornando as adaptações necessárias mais simples, visando sempre o desenvolvimento integral da criança ou adolescente com TEA.

A escola deve estar atenta ainda ao fato de que, em algumas situações, a criança ou adolescente com TEA pode entrar em crise e nesse momento a escola necessita ser um lugar seguro. É essencial contar com portões em escadas, telas em janelas, cuidar do acesso aos lugares mais altos sem proteção, sempre fazendo uma boa análise de risco do ambiente educacional, com o devido plano de ajuste aos possíveis mapas de risco.

Enfim, falar sobre inclusão é a parte mais fácil do processo; praticá-la de forma adequada e humanizada (não só por cumprimento da lei) é o maior desafio.

Um ambiente escolar acolhedor e humanizado propicia inúmeras possibilidades de aprendizado e desenvolvimento social e relacional não só para os alunos com autismo, mas para todos que terão oportunidades de aprender sobre diferenças, amor, respeito e se tornarem adultos capazes de fazer a diferença na sociedade.

Dra. Deborah Kerches de Mattos Aprilante (@dradeborahkerches), CRM 102717-SP, RQE 23262-1, é neuropediatra, especialista em Transtornos do Espectro Autista, diretora do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil de Piracicaba. É palestrante sobre Transtornos do Espectro Autista, membro da Sociedade Brasileira de Neuropediatria, da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil (ABENEPI), da Academia Brasileira de Neurologia e da Sociedade Brasileira de Cefaleia. É ainda preceptora do Programa de Residência Médica em Pediatria da Prefeitura do Município de Piracicaba com Especialização em Preceptoria pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês. E-mail: deborahkerches@gmail.com