19 de setembro de 2019
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A síndrome de Burnout e a presença na vida de algumas mulheres

Atualmente, fala-se bastante sobre a síndrome de Burnout, que vem aparecendo cada vez mais em diversas profissões, sendo consequência do excesso e/ou sobrecarga de trabalho. A pessoa sente-se literalmente exausta, fica nitidamente esgotada física e psicologicamente, seja por causa do número de horas trabalhadas, seja pelo estresse provocado pelas condições de trabalho. É difícil não relacionar, porém, […]

Atualmente, fala-se bastante sobre a síndrome de Burnout, que vem aparecendo cada vez mais em diversas profissões, sendo consequência do excesso e/ou sobrecarga de trabalho.

A pessoa sente-se literalmente exausta, fica nitidamente esgotada física e psicologicamente, seja por causa do número de horas trabalhadas, seja pelo estresse provocado pelas condições de trabalho.

É difícil não relacionar, porém, a síndrome de Burnout à realidade de muitas mães atualmente. Tanto que pesquisas mostram que as mulheres são mais atingidas pela síndrome do que os homens. Isso porque é fato que muitas mulheres acumulam dupla ou tripla jornada, trabalhando, cuidando da casa e/ou dos filhos.

“Então, embora a síndrome de Burnout seja resultante do desgaste devido ao excesso de trabalho, é inevitável não a associarmos a alguns casos de mulheres que, além de serem sugadas de maneira abusiva dentro do trabalho, de sofrerem muita pressão profissional, quando chegam em casa, ainda têm que ‘dar conta’ de filho pequeno e de eventuais tarefas da casa”, comenta Alessandra Netti, psicóloga e neuropsicóloga.

“Paralelamente a isto, vivemos em uma sociedade que parece cobrar toda essa ‘disposição’ e dedicação nas diferentes áreas de nossas vidas. Tem mulheres que optam por deixar a carreira para cuidar diretamente dos filhos e se sentem ‘julgadas’ por isso; assim como aquelas que são criticadas por ‘trabalharem mais do que ficarem com os filhos’. Ou seja, ouvimos críticas em todos os sentidos, o que parece sugerir que devemos ser dedicadas a tudo, que precisamos ser ótima profissional, ótima mãe e ótima dona de casa, por exemplo”, comenta Alessandra.

A própria questão da competitividade, dentro do emprego e também na “vida real”, também é um agravante. “Tem mulheres que se cobram quando leem que determinada atriz teve filho e já voltou a malhar, por exemplo”, comenta a psicóloga.

Claro que esta relação não é uma “regra”. Muitas mulheres conseguem conciliar carreira, maternidade e vida doméstica com maestria. Há ainda as que “encontraram seu limite”, por exemplo, optaram por uma babá e/ou por diminuírem a carga de trabalho e são totalmente “resolvidas” em relação a isso, ou ainda aquelas que contam com uma boa rede de apoio dentro de casa.

O problema é quando existe a sobrecarga e, naturalmente, um conflito em relação a isso. Pois, certamente, a mulher que está sobrecarregada não está “contente” com a situação.

Características da síndrome de Burnout

Mas, afinal, como identificar a síndrome de Burnout? Como diferenciá-la de um “cansaço pontual”?

A síndrome de Burnout pode ser definida como um distúrbio emocional que leva a sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico. É proveniente de situações de trabalho desgastantes.

Como a síndrome de Burnout está intimamente relacionada ao ambiente profissional, a tendência é que a pessoa passe a ser negativista e ranzinza no contato com seus colegas de trabalho e/ou superiores, podendo até tornar-se agressiva em determinadas situações. A produtividade também tende a cair, a memória tende a ficar alterada, e o raciocínio, mais lento.

Mas, os sintomas ultrapassam os limites do ambiente de trabalho. Outros sinais que podem estar associados são: nervosismo, baixa autoestima, problemas físicos (tais como dor de barriga, dor de cabeça, tonturas, cansaço excessivo), alterações do apetite, insônia, dificuldade de concentração, sentimento de fracasso, alterações repentinas de humor, isolamento, pressão alta, dores musculares, problemas gastrointestinais, alterações dos batimentos cardíacos, falta de vontade de sair da cama e até de casa.

“Esses sinais surgem muitas vezes de forma leve, mas tendem a se agravar com o passar dos dias. Por essa razão, é fundamental buscar apoio profissional assim que notar que alguns desses sinais (não necessariamente todos) tornaram-se constantes”, alerta Alessandra.

O diagnóstico da síndrome de Burnout deve ser feito por um profissional especialista (psicólogo, psiquiatra) após análise clínica do paciente, para que ele possa orientar a melhor forma de tratamento, de acordo com as particularidades de cada caso.

Se não tratada adequadamente, a síndrome de Burnout pode evoluir para quadros mais sérios, como, por exemplo, depressão.

“A prevenção é sempre o melhor caminho. É fácil falar e difícil colocar em prática. Mas, o ideal é nos esforçamos para termos uma rotina mais leve, com momentos de descanso e lazer, buscarmos ajuda profissional sempre que notarmos que algo não vai bem e seguirmos sempre em busca do nosso equilíbrio”, comenta Alessandra.

“Meu conselho especialmente às mulheres que cumprem jornada dupla ou tripla é que se cobrem mesmo. Que reconheçam seus limites e que parem de se comparar com outras! Tente ser sua melhor versão e não seguir os passos de outra mulher que tem outra realidade completamente diferente da sua. Afinal, somos únicas, o que, por si só, deveria inviabilizar comparações!”, finaliza Alessandra.