8 de outubro de 2019

A Neuropsicologia e sua contribuição para a Educação

É pouco provável falar sobre o conceito da Neuropsicologia sem citar o quanto ela pode contribuir para a aprendizagem e a educação. Ela se destaca hoje como um dos campos mais aplicados da ciência para estes fins, por ter potencial de ser ponte entre laboratórios de pesquisas e sala de aula. Alessanda Netti, psicóloga e […]

É pouco provável falar sobre o conceito da Neuropsicologia sem citar o quanto ela pode contribuir para a aprendizagem e a educação. Ela se destaca hoje como um dos campos mais aplicados da ciência para estes fins, por ter potencial de ser ponte entre laboratórios de pesquisas e sala de aula.

Alessanda Netti, psicóloga e neuropsicóloga, explica que a Neuropsicologia é um campo de estudo que se baseia no entendimento de que a mente tem um substrato neurobiológico, ou seja, tanto o que pensamos é capaz de mudar a neurobiologia, como a neurobiologia influencia nossos pensamentos, comportamentos e sentimentos.

“Por muito tempo a Neuropsicologia foi reduzida à área que estuda as relações entre cognição humana e cérebro. Mas, vai além disso, pois através da Neuropsicologia, podemos investigar fatores que impactam positiva ou negativamente o desenvolvimento cognitivo, comunicativo e socioemocional de uma pessoa, e que podem estar interferindo em sua funcionalidade cotidiana, bem como em sua qualidade de vida”, comenta Alessandra.

A Neuropsicologia não se prende somente a diagnósticos clínicos, mas olha para o indivíduo como um todo, levando em conta que ele tem um histórico único de vida e de saúde (geral, neurológica, sensorial e emocional).

“Levamos em conta fatores relacionados à história de vida (um caso de vulnerabilidade social, por exemplo), bem como fatores que podem estar relacionados a eventuais quadros clínicos de saúde geral (diabetes, demências), do neurodesenvolvimento (TDAH, TEA), psiquiátricos (ansiedade, depressão), neurológicos (acidente vascular cerebral e traumatismo cranioencefálico), entre outros pontos”, explica Alessandra.

“É essencial analisarmos que a passagem da aprendizagem informal no meio familiar para a rotina na escola expõe a criança a uma demanda complexa de experiências e aprendizados, e isso faz com que novas conexões cerebrais sejam formadas. Isso reforça a importância do papel do educador na formação da reserva e do desenvolvimento cognitivo da criança, e mostra o quanto a Neuropsicologia está ligada à educação, se colocando como uma ferramenta efetiva”, destaca Alessandra.

Através da Neuropsicologia, conseguimos esclarecer questões escolares como, por exemplo:

– As dificuldades relativas às memórias estão ligadas primeiramente à memória ou podem ser consequência de problemas atencionais?

– Os atrasos na aquisição de linguagem escrita são provenientes de dificuldades de linguagem oral?

– A dificuldade na resolução dos problemas matemáticos é derivada da dificuldade de raciocínio lógico-abstrato, de atenção concentrada ou de compreensão leitora?

– A criança ou adolescente apresenta algum transtorno específico de aprendizagem?

– Existe a necessidade de adaptação no conteúdo escolar em função das características e/ou eventuais limitações cognitivas do aluno?

Isso entre muitas outras questões que têm papel fundamental na educação e na qualidade de vida de uma pessoa.

A avaliação neuropsicológica, destaca Alessandra, é um processo complexo de análise quantitativa e qualificativa, que se utiliza de técnicas como: observação, entrevistas com familiares e educadores (informantes que conhecem o máximo possível a história de vida e acadêmica da criança ou adolescente), tarefas clínicas e instrumentos padronizados (“testes”). Tal avaliação durar por volta de 8 sessões, em média.

“A avaliação nos permite conhecer e caracterizar o desenvolvimento cognitivo do indivíduo, suas habilidades mais e menos estimuladas em relação ao seu desenvolvimento emocional e às suas condições intelectuais e cognitivas”, destaca Alessandra.

Dada sua importância e complexidade, a Neuropsicologia é uma área em expansão constante e nos ajuda a entender como a mente e o cérebro funcionam e mediam a aprendizagem.