28 de outubro de 2019
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Outubro Rosa: o câncer de mama do ponto de vista psicológico

Outubro está chegando ao fim, mas as discussões em torno da importância da prevenção do câncer de mama não podem cessar. Trazendo um olhar mais global em torno da doença, resolvemos falar sobre como o câncer de mama pode afetar a mulher do ponto de vista psicológico. Pedrilha de Goes Baggi, Psicóloga Clínica e Hospitalar […]

Outubro está chegando ao fim, mas as discussões em torno da importância da prevenção do câncer de mama não podem cessar.

Trazendo um olhar mais global em torno da doença, resolvemos falar sobre como o câncer de mama pode afetar a mulher do ponto de vista psicológico.

Pedrilha de Goes Baggi, Psicóloga Clínica e Hospitalar (CRP – 06/55422-5), comenta que o câncer de mama, especificamente, se destaca como a doença mais temida pelas mulheres. “A mulher passará por várias fases de conflitos internos que oscilam desde a negação da doença até a esperança da cura. Muitas vezes acontece da paciente encarar a doença como uma ação destruidora e geralmente é sentida como um castigo, uma punição, uma vez que o câncer está associado ao estigma da morte. A presença da depressão e estado de dor e angústia é perfeitamente aceitável na descoberta da doença”, diz.

“O medo também é um sentimento bastante presente, pois fantasias do que será dali para frente, o desconhecido, as coloca numa condição de desamparo, de descontrole da situação vindo associado também ao medo da perda, perda dos cabelos, perda da mama ou parte dela. A mama é o símbolo da feminilidade, desempenha uma função significativa e até que a mulher possa se adaptar a esta nova imagem exige um esforço muito grande  e para isso precisa de alguém confiável, apoio familiar e um processo psicoterapêutico podem fazer parte deste cenário para ajudá-las”, acrescenta Pedrilha.

Principais dicas para quem está lidando com o câncer de mama

A primeira dica, destaca Pedrilha, é não ter dó de si mesma. “A autopiedade leva a pessoa a se tornar vítima da situação em que se encontra, e a partir desse comportamento se julga incapaz de lidar com a atual condição e pode ir se afastando das suas capacidades, ficando preso a sentimentos negativos, sentindo-se impotente e paralisado”, explica.

“Outra dica seria  refletir sempre sobre sua vida, o que faz bem ou não, ter amigos, descomplicar as coisas, simplificar, ou seja, viver de forma mais leve, olhar para si mesma e se perceber enquanto ser humano que é. Quando fazemos isso percebemos nossas fragilidades, nossos medos, angústias e enxergamos o outro também a partir desse olhar e daí poder ter relações mais humanas, mais verdadeiras, ser feliz”, acrescenta a psicóloga.

Ter fé também é uma dica. “Segundo o médico homeopata Andrei Moreira, a fé é feita de dois ingredientes: Confiança e Entrega. Confiança porque estabelecemos uma relação, relacionar-se é fruto da confiança e a entrega é o fruto da aceitação. Aceitação de um poder supremo, aceitação de uma vontade maior que a nossa, de uma sabedoria que nos conduz, então quando confiamos em Deus e nos entregamos, aceitamos a nossa vida como ela é, então temos esses dois ingredientes Confiança e Entrega, a soma deles chama-se Fé. Achei tão linda a explicação que quis passar para frente”, comenta Pedrilha.

E a família, como pode ajudar?

O diagnóstico de câncer não atinge somente o paciente gerando insegurança, medos e sofrimento. “A família e os amigos também são atingidos com estes tipos de pensamentos devido ao estigma que o câncer traz através de sua história. Embora existam avanços da medicina, tratamento e diagnóstico, a doença ainda é causa de impacto no paciente e seu familiar, é comum ocorrer um desequilíbrio emocional, pois cada membro sentirá de forma diferente”, comenta Pedrilha.

Mas como o familiar pode ajudar? A psicóloga dá as principais orientações:

– Saiba ouvir, ser alguém que a paciente sinta que está realmente com ela, que ela possa contar.

– Ofereça ajuda, pois a paciente muitas vezes sente que atrapalha o outro e sente-se mal por se tornar “alguém dependente”.

– Aprendam juntos! A paciente também não sabe como lidar com a doença, a família irá aprender junto.

– Seja empático – coloque-se no lugar do outro antes de julgar ou criticar. Não faça para o outro o que não quer que façam para você.

– Tenha bom senso, não passe experiências dos outros e nem sua com situações traumatizantes.

– Respeite as decisões da paciente, mesmo você não concordando, converse.

Importância do Outubro Rosa

Pedrilha comenta que a prevenção de qualquer doença é de suma importância para a população. “No caso do câncer de mama, faz-se necessário chamar atenção, diretamente da importância que é estar detectando precocemente a doença. O Outubro Rosa ganhou notoriedade, motivando a população feminina  através de uma linguagem compreendida em qualquer lugar do mundo para uma realidade que, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) 2018, atingiu 59.700 casos novos de câncer de mama somente no Brasil”, diz.

A conscientização é a melhor forma de prevenção. “A mulher precisa conhecer seu corpo e tendo essa consciência ela irá não somente no Outubro Rosa, mas mensalmente fazer o autoexame, ir ao seu ginecologista e fazer os exames mamográficos  pelo menos uma vez ao ano, ficar atenta às anormalidades de suas mamas e buscar ajuda médica”, finaliza Pedrilha.