14 de janeiro de 2020
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O que é o transtorno bipolar e como ele se apresenta na infância

Você certamente já ouviu falar sobre transtorno bipolar ou bipolaridade. Mas sabe realmente o que isso significa e quais são os sinais desse transtorno? O assunto é amplo e merece ser abordado de forma cuidadosa. Mas, hoje, quero falar rapidamente sobre algumas características do transtorno bipolar em crianças, apresentando os principais sinais de alerta. O […]

Você certamente já ouviu falar sobre transtorno bipolar ou bipolaridade. Mas sabe realmente o que isso significa e quais são os sinais desse transtorno?

O assunto é amplo e merece ser abordado de forma cuidadosa. Mas, hoje, quero falar rapidamente sobre algumas características do transtorno bipolar em crianças, apresentando os principais sinais de alerta.

O transtorno bipolar é caracterizado pela oscilação de momentos de extrema euforia para períodos depressivos. Até pouco tempo, era considerada uma “doença de adulto”, mas, hoje, com base em estudos, sabemos que o transtorno pode aparecer ainda na infância, de forma mais frequente do que se imaginava.

A criança que tem o transtorno bipolar é afetada por uma montanha-russa de sentimentos, sendo que, na maioria das vezes, ela não compreende exatamente o que está sentindo. Não podemos, assim, esperar que ela chegue e nos diga “ontem estava me sentindo eufórica; hoje, estou me sentindo triste”.

Os sinais de alerta, então, incluem:

Mudança inexplicável de comportamento;

Isolamento social devido ao comportamento inconstante;

Queixas de dores (cabeça, estômago);

Busca constante por novos estímulos;

Choro frequente e sem causa aparente;

Abandono de atarefas sem conclusão;

Recusa de alimentos e, às vezes, grande apetite/exageros na alimentação;

Inquietação motora significativa;

Perturbação do sono;

Agressividade.

Qualquer um destes sinais citados acima, por si só, não caracteriza um quadro de transtorno bipolar. Não vale achar que qualquer comportamento diferente e isolado represente o transtorno.

Vale lembrar, aliás, que as crianças naturalmente têm oscilações de humor, que estão dentro do esperado. Uma mudança de comportamento pode estar relacionada, por exemplo, ao período de volta às aulas, á adaptação em uma escola nova, à perda de um animal de estimação, a um conflito familiar, entre outras questões. Tudo isso pode afetar, de alguma forma, o comportamento da criança que pode, por exemplo, se sentir repentinamente mais triste, querer ficar mais sozinha etc.

Porém, quando vários destes sinais estão presentes e mostrando-se constantes, a criança necessita, sim, ter sua saúde mental analisada, considerando a existência de bipolaridade e/ou de outro transtorno.

Para configurar um quadro de bipolaridade, teremos, primeiramente, que descartar outras hipóteses de ordem familiar e/ou ligadas à mudança de rotina, e fazer uma análise completa de toda a realidade que a criança está vivendo. Por tudo isso, o diagnóstico só poderá ser feito por um profissional habilitado para tal.

* Alessandra Netti é Psicóloga, Neuropsicóloga e Neurofeedback. Autora e especialista em comportamento do Blog Mundo Mãe.