20 de fevereiro de 2020

De olho nos atrasos de fala

A capacidade de comunicação e o uso de uma linguagem são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo de uma criança. Pensamos, sonhamos e aprendemos em uma língua, por isso a importância da aquisição desse importante e tão esperado marco de desenvolvimento. O aprendizado dessa língua ocorre juntamente com o desenvolvimento neuropsicomotor. Esse aprendizado não é moldado […]

A capacidade de comunicação e o uso de uma linguagem são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo de uma criança. Pensamos, sonhamos e aprendemos em uma língua, por isso a importância da aquisição desse importante e tão esperado marco de desenvolvimento.

O aprendizado dessa língua ocorre juntamente com o desenvolvimento neuropsicomotor. Esse aprendizado não é moldado somente por fatores genéticos, mas também por estímulos externos.  Diante desses estímulos, nosso cérebro vai desenvolvendo  modificações neuronais, ganhos de redes complexas, podas de redes não utilizadas, como numa grande cidade cheia de avenidas e ruas. O período da primeira infância, mais especialmente nos primeiros três anos, é o período de maior neuroplasticidade, capacidade de formação dessas redes neuronais. Portanto, estimular crianças nessa fase é sempre surpreendentemente bom.

Atrasos persistentes de linguagem levam prejuízos de interação e aprendizado.  Esses atrasos são comuns em nossas crianças, estão em cerca de 7 a 30% das crianças com menos de 5 anos, dependendo da metodologia da pesquisa.

Sabemos que cada criança tem seu tempo e que devemos respeitá-lo e que cerca de 50-60% das crianças com atraso de fala por volta dos 2 anos alcançarão seus pares por volta dos 3 anos. Mas, sabemos também que aquelas que são estimuladas por meio de terapia fonoaudiológica têm vantagens em vocabulário e produção  de  linguagem quando comparadas às não tratadas.

Lembre-se que os estímulos externos são fundamentais na aquisição de linguagem, o afeto, o interesse pelo outro, o brincar livre, a conversa diária, as cantigas, contar historinhas são todos estímulos fundamentais para um bom desenvolvimento. A exposição a telas, incluindo televisão, tablets e celulares não têm benefício algum para esse desenvolvimento.  Evite a exposição até os dois anos de idade e depois disso tenha muito cuidado com o tempo e a qualidade dessa exposição.

Se existe dúvidas se o seu filho está se desenvolvendo conforme o esperado para aquela idade, é sempre importante levá-lo a um profissional competente na área para que a criança não seja prejudicada.

Dra. Carolina Schäffer Kalaf é médica formada pela Puc Campinas (2000-2005). Residência médica em otorrinolaringologia na Puc Campinas (2006-2009). Médica assistente do hospital e maternidade Celso Pierro e formação de residentes na Puc Campinas 2009-2013. Pós-graduada em Foniatria pela ABORLCCF em 2018. Fellow em Foniatria na Puc SP 2019. Membro da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia ABORLCCF e da Sociedade Brasileira de Otorrinopediatria. E-mail: carolinaschaffer@hotmail.com