28 de abril de 2020

Como manter as unhas saudáveis durante a pandemia

Durante a pandemia, acabamos ficando mais expostos a  produtos químicos, como detergentes e sabões, além do uso excessivo do álcool gel.  Por outro lado, estamos indo menos  a manicure e, com isso, retirando menos as cutículas, o que é benéfico; uma vez que a cutícula, que todas as mulheres têm por hábito cultural retirar semanalmente, […]

Durante a pandemia, acabamos ficando mais expostos a  produtos químicos, como detergentes e sabões, além do uso excessivo do álcool gel.  Por outro lado, estamos indo menos  a manicure e, com isso, retirando menos as cutículas, o que é benéfico; uma vez que a cutícula, que todas as mulheres têm por hábito cultural retirar semanalmente, não deveria ser removida, pois ela representa uma barreira para substâncias e microrganismos que poderiam entrar e atingir a matriz da unha. Além disso, o hábito comum de lixar a parte de cima das unhas também pode ser  prejudicial, pois retira  camadas de queratina e as deixa mais frágeis e finas.

Os esmaltes, que são utilizados pela maioria das mulheres, embora apresentem um belo efeito estético, podem causar efeitos colaterais. Um deles é a alergia, que ocorre entre 1 a 3% da população. Essa alergia pode ocorrer fora dos locais próximos das unhas como pálpebras superiores, lábios, face, orelhas, queixo e pescoço, ou seja, em locais onde a mão toca e a pele é mais fina. Atualmente, muitos fabricantes disponibilizam linhas hipoalergênicas que substituem o formaldeído e o tolueno – que são os principais responsáveis por alergias – por outra resina.

A unha normal é composta por queratina modificada, com baixo teor de água, além de conter enxofre, magnésio, cálcio, ferro, zinco, sódio e cobre. Sua principal função é proteger as extremidades dos dedos de traumatismos. Também tem a função de defesa, apreensão de objetos e pode ainda revelar doenças internas.

O uso contínuo de cosméticos para unhas pode levar à síndrome das unhas frágeis, principalmente pelo efeito desidratante dos solventes utilizados para remover os esmaltes. Referida síndrome se manifesta por  descamação das unhas e diminuição da espessura ungueal. Ela também pode ser consequência de fatores locais, como microtraumatismos repetidos (digitação) e fatores que favorecem a desidratação das unhas como lavagens frequentes ou contato com produtos químicos durante atividades profissionais.

Algumas afecções dermatológicas como psoríase, alopecia areata e onicomicose podem, também, levar à fragilidade unguel. Outrossim, temos as doenças sistêmicas como anemia, anorexia, bulimia, alterações da tireóide e o uso de medicamentos, que podem levar ao afinamento das unhas.

Uma dieta desiquilibrada levando a carência vitamínicas, de oligoelementos (ferro, zinco, selênio) e aminoácidos também pode desencadear a síndrome das unhas frágeis.

Finalmente, não podemos esquecer que o processo de envelhecimento também ocorre nas unhas, resultando em afinamento e aparecimento de estrias e fissuras longitudinais. As unhas dos idosos têm menor quantidade de lipídeos, aumentando ainda mais a probabilidade de terem unhas frágeis. Para esses casos existem  algumas bases fortalecedoras, que contém retinol e hidratantes – essas substâncias deixam as unhas mais duras e resistentes à quebra.

Concluindo, sabemos que hidratar as cutículas e unhas faz com que estas fiquem menos ressecadas e com melhor aparência, não se podendo esquecer que muitos produtos disponíveis no mercado, embora possam ser de grande benefício nos cuidados paliativos das unhas, também podem ser fonte de efeitos adversos. Em razão disso, importante que se procure sempre um médico dermatologista para orientação.

Dra. Raquel Keller @draraquelkeller é graduada em Medicina pela USP, com Residência em Dermatologia no Hospital das Clínicas da FMUSP e estágio no St Jonh’s Institute of Dermatology of London-Inglaterra, Mestre pela Faculdade de Medicina da USP, possui Título de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, é professora da Faculdade de Medicina Anhembi Morumbi e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.