10 de junho de 2020
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Prevenção e cuidados com a pele da criança e do recém-nascido

A pele é o maior órgão do corpo humano e sua importância é grande. Ela promove, através da função de barreira cutânea, uma proteção mecânica, regula a temperatura corpórea, controla a entrada de agentes microbianos além de prevenir a perda de líquidos do corpo. Existem muitas diferenças entre a pele do adulto e a do […]

A pele é o maior órgão do corpo humano e sua importância é grande. Ela promove, através da função de barreira cutânea, uma proteção mecânica, regula a temperatura corpórea, controla a entrada de agentes microbianos além de prevenir a perda de líquidos do corpo.

Existem muitas diferenças entre a pele do adulto e a do recém-nascido, o que leva a pele dos bebês ser particularmente sensível ao excesso de secreções glandulares como o suor e o sebo, aos ácaros do pós da casa, às bactérias presentes no ambiente exterior, às impurezas acumuladas na área da fralda (fezes e urina), à oclusão pelo material das fraldas e a condições climáticas extremas.

Como a barreira cutânea é imatura nos recém-nascidos e lactentes, a permeabilidade cutânea é muito elevada, sobretudo, durante a primeira quinzena de vida. Como consequência, temos um aumento do risco de toxicidade por absorção de medicamentos.

Os cuidados com a pele dos recém-nascidos, dos lactentes e crianças devem buscar preservar a integridade cutânea, prevenir a toxicidade e evitar exposições químicas prejudiciais à pele.

Os emolientes são emulsões que contém lipídeos, amaciam e restauram a elasticidade da pele e evitam a perda da água. Eles são indicados para o cuidado diário da pele seca, em doenças que levam à descamação da pele e aos pacientes com dermatite atópica. A melhor hora para passar um emoliente é depois do banho, porque a pele está apta para recebê-lo e portanto sua eficácia é aumentada. Emolientes perfumados devem ser usados com cautela, pois há um maior risco de irritação e sensibilização. Em bebês e crianças com pele seca, os mais eficazes e seguros são isentos de perfumes, corantes e conservantes.

O banho dos recém-nascidos visa, especialmente, as zonas que necessitam maior atenção, como face, pescoço, pregas e área de fraldas. A duração do banho deve ser curta e sua frequência depende da cultura de cada local. De fato, em muitos locais, as mães preferem dar banho diariamente, mesmo não sendo realmente necessário. Nos prematuros, a frequência deve ser diminuída.

Os sabonetes tradicionais têm boa detergência e produzem bastante espuma; entretanto além de serem irritantes, seu pH alcalino pode destruir a camada de gordura da pele do bebê, levando ao ressecamento cutâneo.  Os syndets, também chamados detergentes sintéticos ou sabões sem sabão, são compostos por agentes tensoativos com bom efeito detergente, tem pH neutro ou ligeiramente ácido, fazem pouca espuma e provocam pouca irritação. Eles constituem uma boa escolha para a pele do bebê. Os agentes de limpeza ideais devem ser líquidos, suaves, sem sabão, sem fragrância, com pH neutro ou ligeiramente ácido, de forma a não irritar a pele nem os olhos do bebê, nem alterar o manto ácido protetor da superfície cutânea.

Em relação aos xampus, não existe uma fórmula padronizada. Enquanto o cabelo é curto, fino e frágil, o seu uso não é necessário e o mesmo produto pode ser usado para cabelo e corpo. Como isso é uma questão de opção, se optarmos pelo uso do xampu, será preciso levar em consideração os mesmos aspectos dos agentes de limpeza do banho: eles deverão ser suaves, apenas levemente detergentes, com pH próximo ao da lágrima, para não provocar ardência nem irritação nos olhos nem na pele.

Apesar dos lenços umedecidos serem práticos e terem um cheiro agradável, eles, na medida do possível, devem ser evitados, pois podem remover o manto gorduroso da pele do bebê e causar irritação.

Outros cuidados que se deve ter com a pele do bebê são:

  • Limpeza regular do cordão umbilical com clorexedine, nos primeiros dez dias de vida, até o cordão cair, para reduzir o risco de infeccção.
  • Manter as unhas dos bebês limpas e curtas, para evitar que machuquem a pele.
  • Trocar as fraldas, preferencialmente, as descartáveis superabsorventes, com frequência. A higiene da área da fralda com água morna e algodão é suficiente para a limpeza diária da urina. Para as fezes, sabonetes brandos são recomendados.
  • Uso rotineiro de pomadas para prevenir assaduras não é necessário para crianças de pele normal.
  • Evitar o uso de curativos adesivos na pele dos bebês, pelo risco de lacerar a pele, que é muito fina.

Concluindo, a pele do neonato sofre um progressivo processo de adaptação ao ambiente externo. Ela se caracteriza por ser sensível, fina e frágil, com pH neutro na superfície, o que diminui significativamente  a defesa contra agentes microbianos. É uma pele macia, uma vez que a camada externa é menos espessa que a dos adultos. A imaturidade da formação da barreira cutânea provoca maior facilidade ao ressecamento, e a torna mais susceptível ao trauma e à toxicidade.

Como a função de barreira cutânea efetiva é vital para o recém-nascido e é reduzida pela imaturidade desse período, cuidados redobrados com a pele são muito importantes e podem minimizar riscos de complicações de doenças de pele durante o período neonatal.

Dra. Raquel Keller @draraquelkeller é graduada em Medicina pela USP, com Residência em Dermatologia no Hospital das Clínicas da FMUSP e estágio no St Jonh’s Institute of Dermatology of London-Inglaterra, Mestre pela Faculdade de Medicina da USP, possui Título de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, é professora da Faculdade de Medicina Anhembi Morumbi e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.