23 de junho de 2020

Como estimular a linguagem do seu filho nessa quarentena

A linguagem é o meio pelo qual o ser humano transmite suas ideias, pensamentos, desejos, sentimentos. É o potencial humano pelo qual ele é capaz de interagir com o interlocutor, com o ambiente e com objetos, significando e representando as vivências. Vale salientar que linguagem vai muito além da “fala”. Ela pode se apresentar através […]

A linguagem é o meio pelo qual o ser humano transmite suas ideias, pensamentos, desejos, sentimentos. É o potencial humano pelo qual ele é capaz de interagir com o interlocutor, com o ambiente e com objetos, significando e representando as vivências.

Vale salientar que linguagem vai muito além da “fala”. Ela pode se apresentar através de diversas esferas: gestos representativos e indicativos, expressões corporais e faciais.  Para exemplificar tipos de comunicação não verbal podemos citar os portadores de surdez, que mesmo na ausência da oralidade – pelo comprometimento auditivo -, comunicam-se utilizando a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

A linguagem se estabelece desde o nascimento. Qualquer expressão, como o choro, é interpretado e significado pelos adultos como: “está chorando de fome, de dor…”. Aos 2 meses, ele já consegue se expressar visualmente e assim, nas relações que estabelece com o ambiente, vai desenvolvendo as habilidades como imitação e jogo simbólico e assim adquirindo conhecimento e competência linguística.

Como citado acima, podemos verificar que a linguagem é aprendida de forma natural  diante das vivências de cada criança. Ao contrário do que muitos imaginam, não existe uma fórmula mágica ou necessidade de horas de treinamentos repetitivos. A estimulação da linguagem é adquirida nas situações do cotidiano, no ambiente familiar, nas conversas, nas brincadeiras, na hora do banho, no momento das refeições, etc.

Atualmente é comum que ambos os pais exerçam suas profissões fora do ambiente doméstico e se culpem por ficarem muitas horas longe dos filhos, atribuindo a essa condição algum atraso ou dificuldade que os pequenos apresentem –  essa “cobrança”não procede   pois o que importa não é a quantidade e sim a qualidade da sua relação.

Nesta recente e inédita (para a geração atual) fase de quarentena em virtude da pandemia do novo Coronavírus – causador da COVID 19 -,  nos vimos obrigados a ficar em casa, e  nos deparamos subitamente a estar em convivência familiar quase  vinte e quatro horas por dia. Pais em suas residências e filhos sem escolas. Percebemos que, ao mesmo tempo em que almejávamos mais tempo com nossas crianças, fomos surpreendidos por não sabermos o que fazer em uma situação tão inusitada  – sem contar nossa própria  insegurança e ansiedade frente à conjuntura atual.

Diante disso, pretendo descrever aqui algumas dicas simples a serem aplicadas no dia a dia deste período para estimular a linguagem através de uma relação familiar mais harmônica:

– Pratique o diálogo, converse, signifique todas as ações do seu dia, por exemplo, na hora que acordou diga: ”bom dia, vamos tomar café? Hoje temos pão, leite”… Na hora do almoço: “ hoje temos arroz, feijão….”.  CONVERSE SOBRE TUDO O QUE ESTIVER FAZENDO.

– Estabeleça uma rotina, como horários para dormir, para comer, para ver tv, para assistir aula online, para fazer lição…. Se necessário faça um quadro de rotina juntos.

– Você não precisa ficar o tempo todo com o seu filho. Estabeleça nas regras que você terá um horário para fazer uma atividade exclusivamente com ele, e que nos outros horários você vai fazer almoço, cuidar da casa, trabalhar ‘home office’, etc.

– Separe um tempo, que não precisa ser longo, mas  exclusivo para a criança. Nesse momento, procure fazer atividades diferenciadas: um teatro, um conto de história, um desenho, uma pintura. Uma sugestão interessante, busque criar em casa, atividades que eles não estão podendo executar, por exemplo, monte um cinema em casa: venda ingressos, marque lugares, venda pipoca. USE A CRIATIVIDADE.

– Mostre que as crianças são úteis em casa nesse momento, peça pra auxiliar nas atividades domésticas, como ajudar arrumar a cama, fazer almoço, etc. Elas irão se divertir e interagir aprendendo.

– Converse com as crianças sobre a doença causada Coronavírus de uma forma lúdica, explicando em uma linguagem simples, pois o assunto está em evidência, e elas podem estar assustadas e ansiosas. Importante saber o porquê do isolamento social e sua importância. Segue link de um ebook sobre como tratar o assunto com crianças para vocês baixarem gratuitamente (https://linktr.ee/karlacorrentefono).

Karla Corrente é Fonoaudióloga, especialista em Linguagem e especialista em Psicopedagogia. idealizadora do Espaço Karla Corrente Fonoaudiologia. Está se especializando em ABA para autismo e deficiência intelectual e em Autismo e Transtorno do Espectro Autista e Adolescência pelo CBI of Miami. Atualmente atua como Coordenadora da Equipe – Espaço Karla Corrente Fono (Terapia/ Audiometria Ocupacional ) e realiza  atendimentos clínicos e audiometria Ocupacional e clínica. É professora de pós -graduação – Avaliação Neuropsicológica da Linguagem Faculdade ESB/ RIO BRANCO ( ACRE).