9 de julho de 2020

Cada criança tem seu tempo?

“Cada criança tem seu tempo”. Considero esta uma frase falsa e verdadeira ao mesmo tempo, assim ela se torna muito perigosa e pode atrasar possíveis diagnósticos e possíveis possibilidades de tratamento e consequentemente retardar melhoras. Sim, cada criança tem seu tempo, ou seja, se desenvolve mantendo suas características, ritmo, maiores habilidades a sua maneira! Fruto […]

“Cada criança tem seu tempo”. Considero esta uma frase falsa e verdadeira ao mesmo tempo, assim ela se torna muito perigosa e pode atrasar possíveis diagnósticos e possíveis possibilidades de tratamento e consequentemente retardar melhoras.

Sim, cada criança tem seu tempo, ou seja, se desenvolve mantendo suas características, ritmo, maiores habilidades a sua maneira! Fruto de uma ordem genética específica e fruto de interações únicas e específicas com o ambiente em que vive.

Porém, toda criança obedece a uma curva de desenvolvimento típica, ou seja, deve andar aproximadamente entre 12 e 15 meses, deve estar falando aos 2 anos, deve atender pelo seu nome quando chamada a partir dos 8 meses, deve estar alfabetizada aos 7 anos, deve ter um estirão do crescimento a partir dos 12 anos, entre tantos outros marcos do desenvolvimento.

Neste sentido, a expressão acima se torna muito perigosa, e se torna uma forma de negar a realidade, tampar o sol com a peneira e sonegar tratamento a algo que na verdade não é uma característica da criança, mas sim um atraso em seu desenvolvimento.

Cuidado ao ouvir isso de um profissional da saúde, da educação ou familiares, siga sempre sua intuição e conhecimento apurado que uma mãe e um pai tem de seu filho!

Procure ajuda de profissional especialista em desenvolvimento infantil e psicológico.

 

Luciana Xavier @neuropsicoloux é psicóloga e neuropsicóloga, especialista em atrasos do desenvolvimento e intervenção precoce e atua na prática clínica há 23 anos nos setores de psicologia, neuropsicologia e direção clínica da equipe multidisciplinar da Clínica Mais Saúde, em Santo André (SP).