23 de julho de 2020
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Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): características mais ou menos evidentes

13 de julho foi o dia da consciência sobre o TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Este envolve diversos déficits em diferentes aspectos cognitivos, que não se limitam apenas  às manifestações tão conhecidas do transtorno: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Algumas das áreas comprometidas no TDAH envolvem dificuldades em esperar por recompensas e […]

13 de julho foi o dia da consciência sobre o TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Este envolve diversos déficits em diferentes aspectos cognitivos, que não se limitam apenas  às manifestações tão conhecidas do transtorno: desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Algumas das áreas comprometidas no TDAH envolvem dificuldades em esperar por recompensas e em estimar intervalos de tempo, inabilidade em utilizar a memória operacional, havendo diminuição da velocidade de processamento e uma grande variabilidade de respostas. Nem todo portador de TDAH apresenta comprometimento total das áreas: a maioria manifesta  alteração de apenas  algumas delas, em diferentes graus de comprometimento.

A linguagem também pode apresentar   diferenças em quem tem o TDAH, mas estas diferenças podem não ser evidentes para quem não é especialista, porque podem ser extremamente sutis.

Quando existem alterações importantes na linguagem oral, como dificuldades para se expressar de modo claro ou para compreender com facilidade o que é falado, dizemos que existem problemas em comorbidade (ou seja, em paralelo) ao TDAH. Estes problemas são o que chamamos de Transtornos de Linguagem e podem ou não existir no portador de TDAH.

As diferenças de linguagem encontradas no TDAH sem Transtorno de Linguagem são mais sutis e envolvem principalmente a organização do discurso e a coesão entre as partes daquilo que o indivíduo quer dizer.

A pragmática da linguagem – que  é  o  uso da comunicação cotidiana – também está frequentemente deficitária.  Podemos nos comunicar mal mesmo quando não temos um problema primário de expressão ou de compreensão.

Existem também pesquisas investigando se as pessoas com TDAH podem apresentar dificuldade também em relação ao discurso narrativo. Neste sentido, a pessoa que tem TDAH pode não responder a uma pergunta que lhe foi feita pelo interlocutor, pode interrompê-lo com muita frequência, falar simultaneamente  ou ainda ser pouco específico, sem explicar melhor ou dar detalhes que permitam ser entendido.

Ao contrário do discurso espontâneo e o discurso meramente descritivo, o narrativo requer que o indivíduo reconte um episódio respeitando as relações temporais, causais e espaciais que vão se desdobrando em cenários diferentes.

Diante dos dados expostos,  temos que estar atentos aos mínimos  sinais apresentados  em relação à linguagem da criança com TDAH , principalmente por poderem muitas vezes ser  discretos e  passarem despercebidos. Qualquer sinal ou percepção que possa estar interferindo na sua comunicação social deve  procurar um fonoaudiólogo.

Karla Corrente é Fonoaudióloga, especialista em Linguagem e especialista em Psicopedagogia. idealizadora do Espaço Karla Corrente Fonoaudiologia. Está se especializando em ABA para autismo e deficiência intelectual e em Autismo e Transtorno do Espectro Autista e Adolescência pelo CBI of Miami. Atualmente atua como Coordenadora da Equipe – Espaço Karla Corrente Fono (Terapia/ Audiometria Ocupacional ) e realiza  atendimentos clínicos e audiometria Ocupacional e clínica. É professora de pós -graduação – Avaliação Neuropsicológica da Linguagem Faculdade ESB/ RIO BRANCO ( ACRE).