7 de agosto de 2020

O Filho Pariu a Fênix

A Fênix é um pássaro da mitologia grega capaz de renascer majestosamente das cinzas da sua própria destruição. Dizia-se que suas lágrimas eram medicinais, que ela tinha muita resistência física, controle sobre o fogo e uma sabedoria infinita. Carl Gustav Jung, em seu livro “Símbolos de transformação”, diz que este pássaro simboliza o poder da […]

A Fênix é um pássaro da mitologia grega capaz de renascer majestosamente das cinzas da sua própria destruição. Dizia-se que suas lágrimas eram medicinais, que ela tinha muita resistência física, controle sobre o fogo e uma sabedoria infinita. Carl Gustav Jung, em seu livro “Símbolos de transformação”, diz que este pássaro simboliza o poder da resiliência, essa capacidade inigualável de nos transformarmos em seres mais fortes, corajosos e iluminados.

Para quem é mãe, é impossível não se identificar com esta figura mitológica.

Toda mãe passa simbolicamente pelo estado de cinzas e pelo processo de renascimento como a Fênix. A maternidade faz com que, abruptamente, saiamos do conforto individual, do pensar predominantemente em si, surgindo medos e inseguranças. A exigência, muitas vezes interna, de perfeição em todos os setores da vida (exemplos: trabalho, família, vaidade) desencadeia graves transtornos de stress.  Este processo gera os principais conflitos das mães da atualidade, que as levam para o processo terapêutico.

Para encararmos este processo com leveza, proponho questionamentos e reflexões para minhas pacientes, um deles é: “o que é real e o que é ilusório em nossa vida?”

Nosso corpo é real?

Nosso trabalho é real?

A roupa que estamos usando é real?

Meu marido é real?

Não, tudo é ilusão! Nada disso é real, entre muitas outras coisas que vivenciamos no dia a dia e ilusoriamente supomos que são reais. Todas elas são perecíveis em nossa vida: um dia eu tenho, outro dia posso não ter mais. Se projeto minha felicidade no meu corpo quando tenho vinte anos de idade, à medida que os anos passarem é possível desenvolver profunda depressão; se deposito minha felicidade no marido, quando fico sem ele minha vida desmorona.

Mas o que é real em minha vida?

Quando nos tornamos mães, muitas vezes entramos em conflito interno por valorizar mais os aspectos ilusórios em nossa vida, não enxergando que a verdadeira missão dos nossos filhos é nos libertar desta grande ilusão, e nos despertar para a missão real em nossa evolução interna. Estes aspectos sempre continuarão se desenvolvendo dentro de nós, com grande potencial de fortalecimento nos momentos de adversidades. São eles: a paciência, a compreensão, a coragem, a resiliência, a gratidão, o desapego e, principalmente, o amor incondicional. Estas virtudes nos despertam para uma mudança atitudinal com tudo e todos ao nosso redor, proporcionando a real felicidade, que é o dar sem esperar receber; e o real amor, que é amar mais do que ser amado.

Quando se ver em chamas e cinzas, saiba que isto que te fará renascer para vida, para o que é real, para a Fênix que você é.

Renata Bandel é mãe da Clara (10 anos) e do Pedro (6 anos), psicanalista clínico, com especialização em “Pensamento Criativo” pela Imperial College London e pós-graduanda em Neurociência e Comportamento.